Roer as unhas, mexer na cutícula e esconder uma unha verde: 3 hábitos que podem aumentar o risco de infecção.
Roer as unhas parece apenas um hábito. Tirar a cutícula faz parte da rotina de muita gente. E uma unha verde pode parecer apenas um problema estético. Mas quando a barreira que protege a região da unha é machucada ou quando uma alteração é escondida com esmalte, alguns cuidados deixam de ser apenas uma questão de beleza.

1. Roer as unhas pode abrir uma porta para infecções.
O hábito de roer as unhas, chamado onicofagia, provoca trauma repetitivo na unha e na pele ao redor. Quando a cutícula ou a região próxima à unha sofre pequenas lesões, a barreira de proteção fica comprometida. Para quem costuma roer as unhas, o problema não está apenas na aparência das mãos. A mordida repetida pode machucar a região ao redor da unha e criar pequenas portas de entrada para infecções.
Isso pode favorecer a paroníquia, uma inflamação ou infecção da pele ao redor da unha. Estudos também encontraram maior presença de bactérias do grupo Enterobacteriaceae na boca de crianças que roíam as unhas, embora isso não signifique que todo roedor de unhas desenvolverá uma infecção. O problema, portanto, não é simplesmente “roer as unhas faz mal”. O risco aumenta principalmente quando o hábito provoca feridas, sangramento, descolamento ou inflamação.
Roer as unhas e mexer nas cutículas não são os únicos hábitos que podem alterar a aparência das unhas. Mudanças como unhas quebradiças, descamação ou perda de resistência também podem estar relacionadas a fatores nutricionais. Para entender melhor esses sinais, veja este guia sobre 7 sinais de deficiência de nutrientes que podem aparecer nas unhas.

2. Tirar ou machucar demais a cutícula pode retirar uma barreira de proteção?
A cutícula não está ali apenas por uma questão estética. Ela funciona como uma barreira física contra a entrada de microrganismos na região onde a unha se forma.
Por isso, remover ou traumatizar excessivamente essa estrutura pode facilitar inflamações e infecções. Há relatos médicos de paroníquia aguda e alterações importantes da unha após técnicas agressivas de manicure que removem completamente a cutícula.
Isso não significa que toda manicure das unhas seja perigosa. O ponto é outro: quanto maior o trauma na região, maior a preocupação com a integridade dessa barreira.

Os serviços de embelezamento são considerados atividades de interesse para a saúde pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e a utilização compartilhada de instrumentos sem o processamento adequado pode transmitir microrganismos.
Além disso, uma unha com alteração importante, inflamação ou possível infecção não deve ser tratada simplesmente como uma questão estética. A profissional deve observar as condições da unha e seguir as normas sanitárias locais.
3. E aquela unha verde que alguém tenta esconder?
Aqui está uma das alterações que mais chamam atenção.
A chamada síndrome da unha verde, ou cloroniquia, é uma alteração frequentemente associada à bactéria Pseudomonas aeruginosa. A unha pode adquirir tonalidade verde, verde-amarelada, verde-azulada ou até verde-escura. A condição costuma estar relacionada a situações como umidade frequente, trauma da unha e descolamento da lâmina ungueal. Fungos e outras bactérias também podem surgir.

Por isso, cobrir a alteração imediatamente com esmalte para “não aparecer” não é uma boa estratégia. O esmalte pode simplesmente esconder uma mudança que deveria ser observada.
Pseudomonas é um gênero de bactérias encontradas em diferentes ambientes, como água e solo. Entre suas espécies, a Pseudomonas aeruginosa é uma das mais importantes para a saúde humana. Ela é considerada uma bactéria oportunista, podendo causar infecções quando encontra condições favoráveis, como tecidos lesionados ou alterações na barreira natural da pele.
E há um detalhe importante: unha verde não significa automaticamente uma infecção grave, nem permite identificar a bactéria apenas pela cor. É necessária avaliação clínica quando a alteração persiste ou vem acompanhada de outros sinais.
Aqui existe uma regra sanitária clara. A Anvisa determina que manipuladores com lesões ou sintomas de enfermidades que possam comprometer a qualidade higiênico-sanitária dos alimentos sejam afastados da preparação enquanto essas condições persistirem, RDC nº 216/2004 – Anvisa. A norma também estabelece que as unhas devem estar curtas e sem esmalte ou base.”
Portanto, não é correto dizer que “unha verde contamina automaticamente a comida”. O correto é dizer que uma lesão ou infecção nas mãos ou unhas pode representar um problema de higiene e, dependendo da situação, impedir a manipulação de alimentos.
4. Quando uma unha alterada pode representar risco para outras pessoas?
A preocupação aumenta quando existe infecção, ferida, secreção, inflamação ou outra lesão capaz de entrar em contato com superfícies, alimentos ou pessoas.

Uma ferida, inflamação, infecção, secreção ou outra lesão nas mãos pode representar um problema não apenas para a própria pessoa, mas também para quem manipula alimentos ou entra em contato direto com outras pessoas. A pele lesionada perde parte de sua função de barreira e pode facilitar a presença e a disseminação de microrganismos.
No caso de quem trabalha com alimentos, o cuidado precisa ser ainda maior. Se a lesão puder entrar em contato com alimentos, utensílios, superfícies ou equipamentos utilizados na preparação, existe risco de contaminação. Por isso, as boas práticas de manipulação recomendam que situações de saúde capazes de comprometer a segurança dos alimentos sejam avaliadas e controladas antes que o manipulador continue nessa atividade.
Isso não significa que toda vermelhidão ou alteração na cutícula seja automaticamente uma infecção ou obrigue alguém a se afastar do trabalho. O ponto é observar a presença de sinais como feridas abertas, pus ou secreção, sangramento, inchaço importante ou inflamação que possa comprometer a higiene das mãos. Diante de uma lesão suspeita, o ideal é buscar orientação profissional e evitar que a região afetada tenha contato direto com alimentos e superfícies de preparo.
A unha está alterada? Faça este teste rápido:
Pergunta 1: A pele ao redor está vermelha, inchada, dolorida ou com secreção?
Se sim: procure avaliação profissional.
Pergunta 2: A unha mudou para verde e a alteração persiste?
Se sim: não tente simplesmente esconder com esmalte; vale investigar a causa.
Pergunta 3: Você trabalha com alimentos, manicure ou cuidados pessoais de outra pessoa?
Se sim: uma lesão ou infecção nas mãos merece atenção redobrada e deve ser tratada de acordo com as normas sanitárias aplicáveis.
Se você costuma roer as unhas, mexer nas cutículas ou tentar esconder uma alteração na unha, vale interromper esses hábitos e observar qualquer sinal de inflamação ou infecção.
Neste artigo:
Sim. Roer as unhas pode provocar pequenas lesões na pele ao redor da unha, facilitando a entrada de bactérias e outros microrganismos. O hábito também leva germes das mãos diretamente à boca e pode agravar inflamações já existentes.
Além disso, quando a pessoa morde ou arranca pedaços da unha e da cutícula, pode causar feridas, sangramento e inflamação. Se houver dor, vermelhidão, inchaço ou presença de pus, é importante procurar avaliação profissional.
A cutícula funciona como uma barreira de proteção entre a unha e a pele. Retirá-la profundamente, empurrá-la com força ou machucar a região durante a manicure pode criar pequenas portas de entrada para microrganismos.
Isso aumenta o risco de inflamação e infecção ao redor da unha, especialmente quando os instrumentos utilizados não estão devidamente higienizados ou esterilizados. Por isso, o cuidado com a cutícula deve ser delicado, evitando cortes desnecessários.
A coloração esverdeada pode estar associada à presença de bactérias, especialmente quando existe umidade acumulada ou descolamento da unha. Uma das situações conhecidas é a chamada síndrome da unha verde, frequentemente relacionada à bactéria Pseudomonas.
O aspecto da unha, porém, não é suficiente para determinar a causa. Trauma, fungos, produtos químicos e outras alterações também podem modificar a cor. Por isso, uma unha que permanece verde, principalmente se houver descolamento, dor ou secreção, merece avaliação.
Não é recomendado simplesmente cobrir uma alteração persistente com esmalte sem investigar a causa. O esmalte pode esconder mudanças na cor, textura ou superfície da unha e dificultar a percepção de que o problema está piorando.
Se a unha apresentar uma alteração nova ou persistente, o ideal é observar a evolução e, quando necessário, buscar avaliação. Durante uma investigação, pode ser recomendável deixar a unha sem esmalte para facilitar a observação de sua aparência.
essas situações, a atenção deve ser ainda maior. Profissionais que manipulam alimentos, trabalham com manicure ou têm contato próximo com outras pessoas precisam evitar trabalhar com feridas, inflamações ou infecções nas mãos sem a devida avaliação e orientação.
Além de proteger a própria saúde, o cuidado ajuda a reduzir o risco de contaminação e transmissão de microrganismos. Higienizar corretamente as mãos, manter as unhas limpas e não compartilhar instrumentos de manicure são medidas importantes.
Procure avaliação médica se houver dor importante, pus, vermelhidão ou inchaço ao redor da unha, descolamento, alteração persistente da cor, ferida que não cicatriza ou piora progressiva.
Não ignore esses sinais nem tente apenas escondê-los com esmalte ou tratamentos caseiros. Se a unha estiver apresentando uma alteração acompanhada desses sintomas, procure atendimento de saúde o quanto antes, especialmente se a dor, o inchaço ou a vermelhidão estiverem aumentando.


